Posso
repreender o espírito da pobreza em minha vida?
Por: André
Sanchez
Você Pergunta: Tenho orado muito ultimamente contra a pobreza na
minha vida. Como uma maldição, a tenho expulsado da minha vida em nome de Jesus
e da vida da minha família, e tenho pedido a Deus a libertação da minha vida
financeira do espírito de pobreza, e que o dinheiro não seja uma preocupação
pra mim. Você aconselha este tipo de oração?
Cara leitora, observei em suas
palavras que você está meio confusa em seu entendimento a respeito do que é a
pobreza e do que ela representa espiritualmente. Para que você compreenda
melhor essa questão, preciso fazer algumas ponderações importantes:
Posso repreender o espírito da pobreza da minha vida?
(1) Muitas igrejas têm
ensinado erroneamente que a pobreza é resultado de alguma maldição espiritual
ou mesmo da ação objetiva de espíritos malignos. Chegam até a pregar que
crentes verdadeiros, mas que são pobres, estão sob essa maldição e precisam se libertar.
Esse pensamento não é bíblico! Observe que os pobres, que viviam em Jerusalém,
foram chamados de santos e foram ajudados pelos irmãos da Macedônia e Ácaia:
“Porque aprouve à Macedônia e à Acaia levantar uma coleta em benefício dos
pobres dentre os santos que vivem em Jerusalém.” (Romanos 15.26). Como esses
servos de Deus seriam considerados “santos” se estivessem sob a “maldição da
pobreza”? O correto não seria, então, os irmãos ricos da Macedônia e Ácaia
libertá-los da maldição da pobreza para que fossem ricos?
(2) Alguém pode dizer que no
Antigo Testamento a prosperidade era ligada a obediência a Lei. Isso é verdade.
Vemos ali que a obediência a Lei gerava prosperidade e a desobediência gerava a
falta dela. Porém, vivemos no tempo da graça e não estamos mais sob o regime da
antiga aliança. Assim, esses princípios do Antigo Testamento não se aplicam a
nós hoje.
(3) É interessante notar que
aprouve a Deus escolher uma família de pobres para acolher o menino Jesus.
Maria e José eram pobres. José era carpinteiro, uma profissão comum entre
pessoas pobres. Jesus declarou sobre si mesmo que não tinha nem um lugar para chamar
de seu: “Mas Jesus lhe respondeu: As raposas têm seus covis, e as aves do céu,
ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.” (Lucas 9.58).
Ora, se a pobreza fosse maldição o Filho de Deus não nasceria em uma família de
pobres e nem seria pobre.
(4) Podemos entender que a
pobreza pode ser o resultado de diversas circunstâncias da vida ou também das
escolhas que fazemos. Alguém que nasce em uma família pobre será pobre por
diversos anos em sua vida. Qual o erro dessa pessoa? Está debaixo de uma
maldição por ter nascido em uma família pobre? Evidente que não! Até porque
pobreza não é defeito e nem maldição, antes, é uma condição de vida diante da
sociedade. Existem aqueles que por causa de escolhas erradas em sua vida, ou
talvez em sua profissão, ficaram pobres. Também aqueles que foram acometidos
por doenças ou outro fator alheio à sua vontade tiveram de experimentar a
pobreza financeira. Outra coisa interessante: existe algum padrão para definir
se alguém é pobre ou não?
(5) A Bíblia não faz apologia
a pobreza e nem a riqueza, porém fala severamente contra o amor do dinheiro.
Ela declara: “Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns,
nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas
dores.” (1 Timóteo 6.10). Assim, a Bíblia sempre nos orienta a que haja um
equilíbrio e que Deus sempre seja Senhor de todas as coisas e situações em
nossas vidas (boas ou não). Não existe ordem de Deus para repreender espírito
da pobreza e nem qualquer apontamento dizendo que uma pessoa que não é rica
está possessa por algum espírito maldito.
(6) Assim, não há a
necessidade de repreender nenhum espírito da pobreza. Busque melhoria das suas
condições de vida através do trabalho e do estudo. Busque oportunidades de melhorar.
Deus se agrada e abençoa isso. Se o dinheiro tem sido uma preocupação
grandiosa, experimente andar na dependência de Deus, pois ele disse: “Por isso,
vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou
beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais
do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes?” (Mateus 6.25).
(7) Não seja como aqueles que
acham que tudo que aconteceu ou acontece em suas vidas é culpa do diabo. Esses
se eximem de sua responsabilidade e acham que as coisas cairão do céu em suas
vidas através de um simples ato de “repreender” situações desconfortáveis ou
“espíritos malignos”. Ore ao Senhor e peça ajuda e oportunidades para melhorar
suas condições de vida. Isso sim é digno e convém a um cristão.
(8) Para finalizar deixo o
recado certeiro de Jesus quanto a esse assunto: “Então, lhes recomendou: Tende
cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não
consiste na abundância dos bens que ele possui.” (Lucas 12.15). Isso significa
que não é maldito quem é pobre e nem bendito quem é rico. O padrão de “medição”
de Deus sobre uma vida abençoada não é a quantidade de bens que alguém possui!
Comentários
Postar um comentário